Com cruzeiros cancelados, agências de viagens organizam reembolso de clientes em MS

Em Campo Grande, teve agência que previu cancelamento e evitou vender pacotes para cruzeiros

MIDIA MAX


Após recomendação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (CLIA Brasil) informou que as empresas coligadas suspenderam voluntariamente os embarques nos portos do Brasil até 21 de janeiro.Em MS, os clientes das agências deverão receber reembolso ou, se preferirem, remarcar a viagem.

 

A associação disse que os cruzeiros atuais vão finalizar os seus itinerários conforme planejado. Segundo a entidade, a paralisação se deve "por incertezas na interpretação e aplicação dos protocolos operacionais previamente aprovados" com relação à Covid.

Ao Jornal Midiamax, a CVC, uma das maiores operadoras de viagem do país, disse que acompanha as recomendações da Anvisa e a decisão de suspensão provisória dos cruzeiros, assim como determinações sobre a continuidade ou não da atual temporada de cruzeiros no País.

 

"A CVC Corp seguirá o direcionamento e política de remarcação e reembolso adotados pelas companhias marítimas que operam os cruzeiros", disse.

Em Campo Grande, o funcionário de uma agência de viagens comentou que pelo menos três clientes de uma mesma família tiveram a viagem cancelada devido à medida das empresas marítimas. "Todos os anos vendemos bem pacotes para cruzeiros e como as coisas estavam mais flexíveis, imaginávamos que não teria interferências. Mas a agência seguirá com as medidas de reembolso ou se os clientes quiserem, remarcar o cruzeiro para outra temporada", comentou com a reportagem. 

 

Por outro lado, houve agências que previram que algo de errado na temporada de cruzeiros pudesse acontecer. Na Capital, a sócia de uma empresa de turismo disse ao Midiamax que esperava que pudessem haver cancelamentos, por isso convenceu os clientes a comprarem outros pacotes. E não deu outra. 

"Não vendi justamente por saber que daria problema. Tive muitos clientes que procuraram, mas não vendi. Na segunda-feira [após anúncio do cancelamento] uma cliente me agradeceu por não ter vendido para ela", pontuou. 

 

Aumento de casos de Covid em cruzeiros 

 

A temporada de cruzeiros, aberta nos últimos meses, já tem indicadores preocupantes e que motivaram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária a recomendar a interrupção da navegação de navios deste tipo pelo Brasil. Segundo o órgão federal, houve um crescimento exponencial de casos de covid a bordo entre passageiros e tripulantes. Em 55 dias, até o dia 25 de dezembro, foram 31 notificações. Nos últimos nove dias, foram registrados 798 casos, um aumento de 25 vezes.

 

A Agência divulgou uma nota técnica, na última sexta-feira (31), recomendando ao Ministério da Saúde a suspensão temporária das viagens de navios no País. "A recomendação da Agência teve como fundamento o aumento vertiginoso dos casos de Covid-19 a bordo das embarcações nos últimos dias, que indica uma mudança radical do cenário epidemiológico", diz a Agência.

 

O órgão regulador federal ressalta que já havia se posicionado pela inviabilidade de viagens em navios de cruzeiros. "Tal mudança repentina e brusca do contexto epidemiológico, provavelmente decorrente do surgimento da variante Ômicron, requer nova avaliação do cenário da pandemia de Covid-19, nos termos da Portaria GM/MS 2.928/2021, que dispõe que a autorização da operação de navios de cruzeiro poderá ser revista a qualquer momento em função dos desdobramentos do contexto epidemiológico dos navios de cruzeiro ou de alterações do cenário epidemiológico nacional e internacional (§ 1º do art. 15)."

 

Segundo a Anvisa, nesta segunda-feira (3), em reunião com representantes do Ministério da Saúde, Estados e municípios foram unânimes em apoiar a orientação da Agência. "As recomendações e ações por parte da Agência foram pautadas em critérios técnicos e sanitários, a partir das melhores evidências disponíveis e com fundamento no princípio da precaução, com a finalidade de reduzir o risco de ocorrência de agravos à saúde."

 

Nesta segunda-feira, os passageiros do Costa Diadema desembarcaram no porto de Santos, no litoral paulista. Outros dois navios também tiveram registros de coronavírus a bordo. O MSC Splendida atracou em Santos, enquanto o Preziosa — que também pertence à mesma empresa — desembarcou os passageiros no Rio no domingo (2).

 



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